segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Ensina-me a amar-te!
Diz-me que te não sufoque na ânsia de querer saber de ti
Obriga-me a respeitar o teu silêncio quando não queres falar.
Perdoa a minha impaciência irresponsável que se abate
Sobre essa barreira do não, firme e meigo,
Tecido de certezas entrançadas de dúvidas,
Numa trama de esperanças.
Vejo-as quando desvias os olhos às minhas perguntas mudas
Ouço-as num soluço que deixas escapar,
Sinto-as no afastar do teu corpo à minha proximidade.
Não te quero dilacerado por dentro
Pelos golpes que escapam da pele ja rija
Entre o amor que me tens e outras razões de consciência.
Não duvides que também são meus os motivos que te assistem.
Sofro por ti.
É uma aprendizagem difícil e longa.
Quisera ser perfeita e viver feliz
Só das palavras que escreves.
Aqui me tens despojada mas sempre esperançosa
De que seremos recompensados do nosso sacrifício.
Procuremos a alegria do pouco que, por enquanto, temos.
Senta-te aqui, a meu lado, e escreve comigo, sim?
Ensina-me, por favor!
Maria
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