segunda-feira, 26 de janeiro de 2004
Morte no relvado
Passava dos 90 minutos de jogo, ontem à noite em Guimarães, quando o drama aconteceu. Eram 21.30, logo após Olegário Benquerença lhe ter mostrado um cartão amarelo, por uma acção de anti-jogo, Miklos Fehér, 24 anos, sorriu ironicamente. De repente, dobrou-se e caiu redondo no chão. Os colegas, do Benfica e do Vitória de Guimarães, que se aproximaram perceberam imediatamente a gravidade da situação e viveram-se cenas lancinantes.
Os jogadores do Benfica choravam, abraçados uns aos outros, alguns não hesitavam em olhar para a céu, como se implorassem um milagre.
Durante longos e angustiantes 14 minutos foram tentados todos os exercícios de reanimação e durante alguns instantes Fehér terá dado sinais de vida. Ao que o DN apurou, o jogador terá sido reanimado, ainda no relvado, por duas vezes, mas sem que os esforços da equipa de socorros conseguisse manter a pulsação. Quinze minutos depois da queda do húngaro no relvado do Estádio Afonso Henriques, o atleta foi transportado numa ambulância que entrou no relvado para o recolher. Entraria no hospital, que se situa muito perto do recinto do Vitória de Guimarães, em paragem cárdio-respiratória, como esclareceria mais tarde o director clínico Fausto Fernandes.
O mesmo responsável leria o comunicado oficial da instituição hospitalar (ver página ao lado), onde se esclarecia que as tentativas de reanimação do jogador magiar se tinham prolongado até às 23 horas e dez minutos.
TRISTEZA Os jogadores do Benfica passaram pelo Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, ainda antes de a notícia ter sido dada e estiveram no seu interior durante 15 minutos. Pouco depois das onze da noite, à saída, os seus semblantes diziam tudo: olhos marejados, uma tristeza profunda. Alguns colocaram os seus gorros para taparem a cabeça. Lá dentro permaneciam os principais responsáveis da SAD encarnada.
A confirmação oficial do terrível desfecho só aconteceria já depois das onze e meia da noite, com o Benfica, pela voz do seu director de comunicação Cunha Vaz, a anunciar a morte do atleta encarnado.
A morte de Miklos Fehér e as suas circunstâncias não deixarão de voltar a levantar velhas questões. Como é possível um atleta de alta competição, de apenas 24 anos de idade, poder sofrer um ataque fatal em pleno relvado?
Para já, depois de algumas informações contraditórias, foi confirmado (pelas próprias equipas médicas do Benfica e do Vitória de Guimarães)que o estádio vimaranense estava equipado com todo o equipamento necessário para a reanimação de um atleta, nomeadamente um desfribilador. Apesar disso, o mais terrível desfecho ocorreu, enlutando o futebol português. Desta vez, o jogo foi mesmo o menos importante.
IN, " Diario de Noticias "
O lema da Mancha Negra, uma das claques da Briosa é: " Se jogasses no Céu, morriamos para te ver."
Tenho a certeza que o "MIKI" continuará a fazer belos jogos no relvado celeste.
Toda a força para a sua familia.
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