segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

Perfil: "Miki" para os amigos O filho do presidente do FC Porto, Alexandre Pinto da Costa, passou pela Hungria para observar um jogador do Ferencvaros, mas substituiu-o rapidamente por um jovem louro e forte da equipa adversária, o modesto FC ETO Gyor. Pouco tempo depois, o miúdo da terra assinava pelo FC Porto (um contrato que rondou os cem mil contos) aos 19 anos e era apresentado nas Antas como uma aposta no futuro. Fehér, internacional pela Hungria, não era um craque, mas quem o via dedicar-se ao jogo percebia quase imediatamente o espirito combativo e empreendedor, a raça entre os centrais e a facilidade de remate. Não era demasiado alto (1,84), não era demasiado pesado (78kg), nem sequer era demasiado veloz. Normalmente era apenas q.b. e senhor de uma técnica razoável. Vítima de alguma imaturidade e do factor Mário Jardel, Fehér passou dois anos na condição de reservista mal rentabilizado, só chegando mesmo a dar nas vistas graças a um arranque notável (quatro golos em três jogos) ao serviço do Sporting de Braga na temporada 2000/01, época que concluiu com o recorde pessoal de 14 golos - Manuel Cajuda, agora no Marítimo, foi sempre um grande defensor das qualidades do atleta -, isto depois de ter sido fundamental na permanência do Salgueiros na I Divisão. Emprestado ao Braga, "Miki", como gostava que os verdadeiros amigos o tratassem, era um dos jogadores mais mal pagos dos quadros portistas, vendo-se ainda envolvido numa guerra que não era sua (Pinto da Costa/José Veiga). Esquecido na equipa B, salta para o Benfica, tendo sido utilizado em 17 ocasiões (quatro golos) no ano da passagem de testemunho de Jesualdo Ferreira para António Camacho. Até anteontem, a transferência do húngaro do FC Porto para o Benfica era ainda notícia. Como indemnização, a Comissão Arbitral da Liga obrigou o clube da Luz a pagar 600 mil euros aos portistas. Tanto o Benfica (porque consideram que deveria ser totalmente absolvidos) como o FC Porto (que pedia seis milhões de euros) anunciaram que iriam recorrer da decisão. Fehér, que casava no próximo mês de Junho com uma conterrânea húngara, foi mal aproveitado. Luís Octávio Costa/PÚBLICO

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